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Quem fechar os olhos e sumir no casulo de fumaça e suor, perceberá.
Quem enxergar a triboluminescência das danças coletivas, se arrepiará.
Quem receber as camadas de texturas sonoras emergindo alternadamente, flutuará.
Porque está escrito na democracia digital: a criação reduzirá a faixa entre
baixo custo e alta tecnologia. A mistura de lou-laife com rai-tec. Pretos
proletários pilotando protuls. O gravador digital é para a música o que o
mimeógrafo foi para a poesia antes. Música para mimeógrafo. Fim das
gravadoras? Como, se nos quartos dos fundos surgem 10 gravadoras novas por dia? Na praça, no largo, na quadra, trepidam cyber-surubas sonoras
mesclando timbres de overdubs e bombos de fabricação caseira. Do trio
elétrico ao trem eletrônico é tanto bip que dá um pib, é tanto lup que dá um
ecossistema de reverberações, de clonagens sonoras auto-reprodutivas, uma
geometria replicante de pinceladas sonoras criando uma malha de arabescos
capaz de revestir qualquer estrada sideral. A carne viva e o código binário
são primos entre si, mutuamente intraduzíveis, portanto não podem viver um
sem o outro. Está na bula do sexo: cada indivíduo redefine a espécie. Está
encriptado nos zeros e uns: cada cópia vira uma nova Matriz. Quem afastar
as fibras de algoritmos do espaço-tempo, verá. Quem tocar com a primeira
letra da língua o fio zumbidor de alta tensão, sentirá. Quem sapatear no
tempo certo sobre a tensão superficial das águas do dilúvio, não afundará.
Postado por: Lucas Santtana
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